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9 de maio de 2008

Por dentro do Google


Na última década, Mountain View se tornou uma das principais cidades do famoso Vale do Silício, na Califórnia. Lá fica o Googleplex, o conjunto de prédios montado para reproduzir o ambiente de uma universidade, mas é o quartel-general de uma empresa-símbolo do século XXI.

E nesse campus, mais do que nunca, os engenheiros do Google andam com a cabeça bem acima das montanhas. Eles agora vivem nas nuvens e estão decididos a nos levar com eles.

A computação nas nuvens é um conceito e é o futuro. Na sua casa, só um teclado e um monitor ou qualquer aparelho parecido. O computador será apenas um chip ligado na internet a grande nuvem de computadores.

As fotos da família, os vídeos, a planilha com as contas da empresa, os textos, tudo pairando sobre nós. Você acessa seus dados de qualquer computador, em qualquer lugar.

E os programas também ficam nas nuvens. Como um trovão, você recebe em sua tela o processador de textos, o editor de fotografias e o software que bem entender.

Se tudo acontecer como imaginam os engenheiros do Google e de outras empresas que apostam na computação nas nuvens, num futuro próximo os computadores poderão ser muito mais baratos e usarão programas oferecidos muitas vezes de graça, pela internet. Seria a definitivo ingresso das camadas mais pobres da população no mundo digital.

"Eu diria que o computador do futuro é a internet. Hoje, se você tem um problema no computador, está tudo perdido, é terrível. Mas, com a computação nas nuvens, não importa se você usa o celular, o computador ou qualquer outro aparelho, tudo estará guardado na internet", acredita o presidente do Google, Eric Schmidt.

Com a informação na internet, os computadores vão precisar de menos capacidade, podem ser reduzidos a uma configuração mínima e tendem a ficar muito mais baratos. "A computação nas nuvens é a maneira mais simples e barata de se ter acesso à internet. Pessoas com pouco dinheiro hoje não têm acesso a computadores e nós poderemos oferecer esse acesso", diz Schmidt .

Essa é a primeira entrevista de Eric Schmidt, o presidente do Google, a uma TV da América Latina. Quem ouve, até pensa que o executivo está fazendo filantropia. Mas, não se engane, ele sempre fala de negócios. E está de olho em competidores gigantes, como a Microsoft.

Se Schmidt e os engenheiros do Google estiverem certos sobre o futuro dos computadores, empresas mais tradicionais vão enfrentar dificuldades. Por isso a Microsoft tentou tanto comprar o portal Yahoo. Seria um jeito de trazer para o lado deles gente talentosa e produtos que já deram certo na internet, uma área em que a empresa de Bill Gates não teve o sucesso esperado.

"Não, eu não tenho pesadelo com Bill Gates. Eles é que estão lutando contra nós", diz o presidente do Google. “Tentamos não brigar com a Microsoft porque se você olhar pra história, as empresas que brigaram acabaram se dando mal justamente por terem gasto energia para enfrentar a Microsoft".

Quando questionado se pretendia entrar na briga pelo Yahoo, Eric Schmidt disse apenas que comprar gigantes não está nos planos. "Preferimos comprar pequenas idéias e integrá-las ao Google".

Como no velho joguinho Pacman, enquanto desvia dos fantasminhas da concorrência, o Google compra empresas com a mesma freqüência com que nós vamos ao supermercado, em média, uma por semana.

A última grande aquisição custou o equivalente a cinco bilhões de reais. Foi o site “Doubleclick”, para ampliar as vendas de publicidade, o que, por enquanto, é a maior fonte de renda do Google. Mas o sonho de quem inventou a ferramenta de busca mais poderosa da internet é continuar sendo o berço das inovações.

Por isso, os funcionários dedicam 20% do tempo de trabalho para projetos pessoais. A empresa paga para eles inventarem o que bem entenderem. Foi assim que nasceram, por exemplo, o Gmail e o Orkut. “A gente tem a sensação que a nossa pequena contribuição de formiguinha afeta tanta gente. É uma responsabilidade grande, é excitante esse processo e muito legal ”, diz a brasileira que trabalha com atendimento ao usuário, Keila Ribeiro.

“Eu estou fazendo produtos que ajudam as pessoas e tem impactos positivos na vida das pessoas”, conta o engenheiro brasileiro Kristian Magnani.

Mas a pergunta agora é por quanto tempo as coisas vão continuar desse jeito? Será que o passado ajuda a responder? Quando a empresa era pequena, ele era conhecido como Craig, o padeiro. Duas vezes ao dia, na cozinha do escritório, trocava o computador pela farinha. "Eu preparo o pão e saio oferecendo aos colegas", dizia Craig.

Em outubro de 2000, Craig já era o diretor de tecnologia de uma empresa com apenas 200 funcionários. Ele era um jovem sonhador, de classe média, em seu primeiro emprego. Oito anos depois, Craig Silverstein, de barba e com muito menos cabelo, servido por incontáveis padeiros, é um discreto milionário no bandejão da empresa.

O diretor deixou de ser o padeiro das horas vagas, mas não mudou o jeito de engenheiro sonhador. "O que é importante para mim é a tecnologia, as idéias. Encorajamos as pessoas a continuar fazendo coisas novas aqui dentro".

Assim os engenheiros que vivem ao pé das montanhas do Vale do Silício, com as mãos no teclado e a cabeça nas nuvens, se mantêm no limite da inovação tecnológica. E mesmo quando trocam os computadores pela bicicleta ou pela a descontraída sinuca, jamais esquecem que a missão de todos é inventar o futuro.

Fonte: jg.globo.com

27 de abril de 2008

Curso vale cargo em escolas - Todos os diretores terão que ser aprovados nas aulas de capacitação obrigatórias

As 1.591 escolas estaduais vão passar por programa de gestão. Os 5.330 diretores, subdiretores e orientadores pedagógicos serão capacitados para planejar melhor o ensino. No entanto, quem não aderir e não concluir o curso ou for reprovado será afastado do cargo.

O Programa Estadual de Gestão Escolar foi lançado ontem no Palácio Guanabara pelo governador Sérgio Cabral e a secretária de Educação, Tereza Porto. Para o governador, projetos como esse corrigem defasagem histórica. “O que ocorreu com a educação no Brasil nas últimas décadas foi a destruição passo a passo de uma estrutura que era eficiente, que oferecia educação de qualidade e salários dignos aos profissionais. E ela foi ao mesmo tempo fragilizada e massificada”, afirmou Cabral, que defendeu a massificação do ensino com qualidade.

Tereza Porto ressaltou que, além de montar um plano com prioridades, os diretores terão que efetivamente cumprir as metas estabelecidas. Quem não fizer o curso ou não comparecer às aulas ou não for aprovado será afastado do cargo.

SINDICATO CRITICA

A coordenadora-geral do Sindicatos Estadual dos Profissionais de Ensino (Sepe), Vera Nepomuceno, afirmou que o programa é um “atentado contra a democracia nas escolas”. “Escola não é empresa nem educação é mercadoria”, disse Vera, que defende eleições diretas para diretores. Já a secretária negou que a medida seja antidemocrática. Segundo ela, o plano terá que ser elaborado com a participação da comunidade.

Aumento para quem fiscalizar programa

A tarefa de acompanhar a implantação do Programa de Gestão nas Escolas ficará a cargo de 170 professores, que passarão por um curso à parte. Quem quiser se candidatar ao novo cargo precisa se inscrever na Internet a partir de segunda-feira. Além da capacitação, os servidores terão aumento e seus salários serão elevados a R$ 2 mil.

Segundo a secretária Tereza Porto, esses professores terão a função de verificar de perto se o plano de ação traçado pelo diretor está sendo implantado e colaborar para que as metas sejam cumpridas. A secretaria está tratando-os como “multiplicadores”. Quem quiser se candidatar poderá se inscrever a partir de segunda-feira no site da secretaria (www.educacao.rj.gov.br).

A Secretaria de Educação pretende abrir numa segunda etapa outro curso de capacitação em gestão para professores que queiram virar diretores de escola. As metas estabelecidas nessa primeira fase começarão a ser implantadas no ano que vem. O início das palestras ainda não foi marcado. Orientadores pedagógicos também participarão.

Conexão Professor: tire suas dúvidas



Os docentes da rede estadual que receberam notebook do programa Conexão Professor têm um aliado para tirar dúvidas, resolver problemas ou dar sugestões. O telefone gratuito 0800 28 29 258 está disponível de segunda a sexta-feira (exceto feriados), das 9h às 18h. Na central de atendimento, será possível registrar a necessidade de troca de peças ou de reinstalação de software. Nesses casos, o professor também deverá encaminhar o notebook para a sua Coordenadoria Regional, que terá a responsabilidade de enviar o computador portátil à assistência técnica e avisar ao docente quando o funcionamento da máquina for restabelecido.